Francisco Schertel Mendes, filho do ministro do STF Gilmar Mendes, tornou-se um dos dirigentes mais influentes da CBF em meio à crise aberta pela eliminação precoce da seleção brasileira na Copa do Mundo e à disputa bilionária pela organização do Campeonato Brasileiro. Com informações do UOL.
Aos 41 anos, Francisco ocupa formalmente a vice-presidência da Federação Matogrossense de Futebol, cargo que lhe garante assento na assembleia da CBF, direito a voto e trânsito entre presidentes de federações. Dirigentes ouvidos reservadamente relatam que o sobrenome Mendes pesa nas conversas internas e inibe contestações abertas.
Francisco também é o único brasileiro no comitê disciplinar da Fifa. O órgão anulou o cartão vermelho do jogador americano Folarin Balogun após pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; Francisco disse a aliados que a decisão não passou por todos os membros do colegiado e não o incluiu.
No ambiente da confederação, ele ainda atua como “patrono” da CBF Academy, braço acadêmico da entidade em parceria com o IDP, instituto fundado por Gilmar Mendes e comandado pela família. O presidente da CBF, Samir Xaud, é egresso da Academy, e aliados de Francisco ocupam postos-chave na atual gestão.

A disputa por liga única e direitos de transmissão
O grupo ligado a Francisco, chamado por dirigentes de “turma de Brasília”, concentra esforços para desfazer contratos da Futebol Forte União, bloco que negocia direitos de transmissão da maioria dos clubes das séries A e B. A FFU fechou acordo de 50 anos com os clubes e tem a corretora XP entre seus investidores.
A estratégia defendida pelo grupo é desmontar os blocos atuais e criar uma liga profissional única, com vínculo mantido com a CBF e sem interferência de investidores financeiros externos. Representantes dos 40 clubes do Brasileirão já participaram de reuniões coletivas e individuais com integrantes dessa articulação.
Ricardo Gluck Paul, vice-presidente da CBF e aliado de Francisco, admitiu o peso da eliminação brasileira, mas vinculou a gestão atual a um novo projeto. “Tudo muito triste, não era o que a gente queria”, disse. “Mas estamos construindo um novo ciclo agora. Não é justificar, não ter passado das oitavas significa uma campanha muito ruim.”
A chegada de Samir Xaud à presidência da CBF ocorreu após a queda de Ednaldo Rodrigues, que rompeu com Fernando Sarney ao excluí-lo da chapa de reeleição. Em maio de 2025, Gilmar Mendes remeteu ao TJ-RJ um processo sobre Ednaldo; o tribunal já havia decidido contra sua permanência, e o então presidente caiu em uma semana. O ministro afirma que decidiu por convicção jurídica e que não acompanhou o desfecho político na entidade.
Com Xaud, nomes ligados à nova gestão assumiram áreas estratégicas, como Gustavo Dias Henrique, André Mattos, Matheus Senna e Caio Cordeiro de Resende, diretor do IDP e presidente da agência criada para acompanhar o fair play financeiro. As regras limitam endividamento e buscam impedir atrasos em salários, tributos e obrigações entre clubes.
Um estudo encomendado pela CBF aponta que os clubes brasileiros tiveram receita total de 1,8 bilhão de euros na temporada 2024/2025, contra 5,1 bilhões de euros da Bundesliga. Na parceria da CBF Academy, 16% do faturamento bruto fica com a CBF e 84% com o IDP, que investiu quase R$ 10 milhões no início da operação.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/filho-de-gilmar-mendes-ganha-forca-na-cbf/

