Implante cerebral devolve movimentos a homem paralisado

Keith Thomas realiza testes com equipamentos da equipe dos Feinstein Institutes. Foto: Reprodução

Um implante cerebral permitiu que Keith Thomas, de 42 anos, voltasse a agarrar e levantar objetos e recuperasse parte da sensibilidade perdida após ficar paralisado do peito para baixo. Morador do estado de Nova York, nos Estados Unidos, ele sofreu uma lesão medular ao mergulhar em uma piscina, em 2020. Com informações de O Globo.

Thomas recebeu uma neuroprótese chamada de “dupla ponte neural”, formada por uma interface cérebro-computador com cinco conjuntos de microeletrodos implantados no cérebro. O sistema registra a atividade cerebral e também aplica estimulação elétrica.

Depois do acidente, Thomas não conseguia levar as mãos ao rosto e havia perdido a sensibilidade nas mãos e nos punhos. Com o dispositivo, ele voltou a executar movimentos finos e relatou conseguir sentir os pelos de sua cadela ao acariciá-la.

Implante devolveu parte da sensibilidade do toque — Foto: Divulgação/Feinstein Institutes
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Como a neuroprótese reconectou cérebro e músculos

Pesquisadores dos Feinstein Institutes for Medical Research combinaram os implantes cerebrais com estimulação elétrica da medula espinhal por meio de adesivos colocados sobre a pele. O objetivo era estimular a neuroplasticidade, capacidade do cérebro e do sistema nervoso de criar novas conexões.

A equipe registrou os sinais cerebrais de Thomas enquanto ele imaginava a sensação do toque e depois reproduziu esses sinais nos músculos por meio dos adesivos e em áreas sensoriais do cérebro. Um modelo computacional baseado em rede neural decodificou os movimentos que ele pretendia fazer com as mãos por vários meses, sem necessidade de novo treinamento com seus dados cerebrais.

O estudo, publicado na revista “Nature Medicine”, apontou que parte das melhoras persistiu por meses mesmo quando o sistema estava desligado. Cerca de 15 milhões de pessoas vivem com lesão na medula espinhal no mundo, e a recuperação dos movimentos das mãos aparece entre as principais prioridades desses pacientes.

Thomas usou o dispositivo durante 35 semanas. Nesse período, a força do braço direito aumentou 86%, e a do braço esquerdo cresceu 62%; ao final do estudo, ele conseguia limpar o nariz e coçar a boca enquanto utilizava o sistema, além de levantar cascas de ovos vazias sem quebrá-las em 87% das tentativas.

Cerca de seis meses após o início do tratamento, Thomas voltou a sentir toque no punho direito, a primeira sensação nos braços desde o acidente. “O mais impressionante é que, em uma avaliação de acompanhamento recente, constatamos que esses ganhos ainda estavam presentes após mais de dois anos. Isso é extremamente animador”, disse Chad Bouton, pesquisador em medicina bioeletrônica da Northwell Health e coautor do estudo.

Thomas afirmou que o tratamento recuperou experiências que a lesão havia tirado dele. “Poder voltar a sentir a mão da minha irmã, acariciar minha cadela e sentir o pelo dela… essas experiências que a lesão havia tirado de mim foram restauradas. Mas, além das sessões do estudo, agora consigo coçar o rosto e enxugar os olhos sozinho. Essa tecnologia me devolveu não apenas a conexão com o mundo, mas também o senso de quem eu sou”, afirmou.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/implante-cerebral-devolve-movimentos-sensibilidade-homem-paralisado/