O Ministério das Relações Exteriores avalia que as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos nesta quinta-feira (23) terão efeito cumulativo sobre produtos brasileiros, fora os itens incluídos em listas de exceção. Com isso, parte das exportações do Brasil pode enfrentar uma sobretaxa total de até 37,5%.
O governo estadunidense anunciou uma tarifa de 12,5% contra o Brasil e outros países sob a alegação de falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na semana anterior, os EUA já tinham imposto uma taxa de 25% a produtos brasileiros, sob o argumento de que o país adotaria práticas desleais contra empresários estadunidenses.
A decisão desta quinta saiu de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O governo estadunidense afirma que o processo apontou práticas comerciais desleais em 59 países e na União Europeia por suposta falta de proibição ou fiscalização adequada sobre a entrada de produtos ligados ao trabalho forçado.
Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já esperavam o anúncio da nova medida do governo Donald Trump. No Itamaraty, segundo o g1, a avaliação é que as negociações para evitar a tarifa de 12,5% serviram apenas para “cumprir tabela”, sem disposição real dos estadunidenses para analisar os mecanismos brasileiros de fiscalização, área em que o país é referência na Organização Internacional do Trabalho.
Governo brasileiro rejeita acusação sobre trabalho forçado
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência divulgou nota em que chamou de “absurdo” relacionar a competitividade da economia brasileira à importação de produtos feitos com trabalho forçado.
“Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais”, afirmou o governo.
📝 Nota à imprensa sobre a imposição de novas tarifas unilaterais dos EUA contra o Brasil
O Governo brasileiro rechaça a decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros em função do resultado da investigação da Seção 301 relativa à…
— Lula (@LulaOficial) July 23, 2026
Na mesma manifestação, o governo disse que o Ministério do Trabalho e Emprego prestou explicações e entregou documentação sobre a legislação brasileira e a atuação das autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos com trabalho forçado. A pasta afirma que não recebeu procura direta de autoridades estadunidenses, embora tenha se colocado publicamente à disposição para prestar esclarecimentos.
O Planalto também informou que buscará a Lei de Reciprocidade para reagir à medida dos EUA. Esse mecanismo permite ao Brasil aplicar medidas equivalentes quando outro país impõe sanções, barreiras ou tarifas unilaterais consideradas injustas, com o objetivo de reequilibrar as relações comerciais.
As novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada por Trump em fevereiro, depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou as chamadas tarifas recíprocas impostas pelo republicano no ano passado. A medida anterior tinha base na Seção 122 da legislação comercial estadunidense, que permite ao presidente impor tarifas temporárias por até 150 dias, prazo que termina nesta sexta-feira (24).
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/itamaraty-ve-tarifas-dos-eua-como-cumulativas-e-brasil-pode-ter-sobretaxa-de-ate-375/

