O ‘crime’ de Thiago Ávila: levar ajuda humanitárial. Por Kakay

O que se observa no contexto atual é que Netanyahu e Trump subverteram a ordem mundial. Rasgaram as leis e os tratados internacionais. Desprezam a ONU ou qualquer outra instituição. Implementaram o terror e uma acusação inventada de terrorismo que elimina quaisquer direitos do cidadão. Para desestabilizar o prisioneiro, ameaçaram-no com 100 anos de prisão.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos fez uma declaração, por meio do porta-voz da entidade, Thameen Al-Kheetan, pedindo a “imediata e incondicional” soltura do Thiago. O Presidente Lula se manifestou criticando a prisão e ressaltou que a ação do governo de Israel era “injustificável”. Afirmou ainda que a detenção em águas internacionais representava “uma séria afronta ao direito internacional” e registrou que o caso suscitava “grande preocupação”.

Na realidade, nenhuma dessas ações, embora necessárias e importantes, terá efeito. O mundo não ouviu quando mais de 60 mil crianças foram feridas ou assassinadas na Faixa de Gaza. Em dois anos de guerra, uma criança foi morta a cada 52 minutos. Sem contar as milhares que perambulam famintas, sozinhas, órfãs de seus pais e abandonadas pela humanidade.

Era por elas que Thiago levava ajuda humanitária. Arriscando a própria vida e deixando, no conforto e na segurança do seu lar, uma filha de 2 anos. Sabemos que, se o mundo fechou os olhos e os ouvidos com o choro e os gritos de dor e pavor de milhares de crianças, infelizmente, a dor da tortura e o desespero do Thiago e de seus companheiros não serão ouvidos.

Porém, espero que não seja em vão a luta pela dignidade e pela humanidade. O horror e o medo que a ultradireita espalha mundo afora, inclusive no Brasil, têm de servir para que um sentimento humanitário e de resistência se fortaleça. Em nome da paz e em homenagem aos Thiagos que resistem.

Relendo Mia Couto, em Versos do Prisioneiro – A Sentença:

“Você
tem que aprender
a respeitar a vida humana, disse o Juiz.
Parecia justo.
Mas o Juiz
não sabia que, para muitos,
a vida não é humana.
O prisioneiro retorquiu:
há muito me demiti de ser pessoa.
E proferiu, por fim:
um dia,
a nossa vida será, enfim,
viva e nossa.”

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-crime-de-thiago-avila-levar-ajuda-humanitarial-por-kakay/