Interlocutores de Daniel Vorcaro afirmam que a Polícia Federal “nunca” quis fechar um acordo de delação premiada com o ex-controlador do Banco Master. A avaliação, relatada à CNN Brasil, é que a corporação atuou de maneira apenas formal tanto na primeira quanto na segunda tentativa de colaboração, sem demonstrar interesse real em avançar nas tratativas.
A nova proposta de delação foi rejeitada pela Polícia Federal na quarta-feira (10). Os delegados responsáveis pelo caso comunicaram a decisão aos advogados de Vorcaro, que está preso desde 4 de março por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Compliance Zero.
Aliados do banqueiro contestam a avaliação de integrantes da PF de que a segunda versão do material era frágil e sem substância. Segundo eles, o documento apresentado traz confissões, auto-incriminação e relatos sobre possíveis práticas delitivas de autoridades. Também afirmam que a nova proposta contém fatos inéditos que ainda não eram conhecidos pelos investigadores.
No começo de junho, a nova versão alcançava autoridades dos Três Poderes e integrantes da oposição. O documento, protocolado na Procuradoria-Geral da República entre os dias 1º e 2 de junho, ampliava a tentativa de colaboração e passava a detalhar relações de Vorcaro com agentes públicos e políticos.
Entre os pontos citados estão informações sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. O projeto teria sido solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que apareceu em áudios pedindo apoio financeiro ao banqueiro. A proposta também mencionaria pagamentos periódicos destinados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A primeira tentativa de delação de Vorcaro já havia sido recusada formalmente em 20 de maio. Na ocasião, investigadores consideraram o material superficial e afirmaram que ele omitia informações sobre aliados políticos. Após a rejeição, o ex-banqueiro reorganizou sua defesa.
Nos bastidores, aliados de Vorcaro avaliaram que o advogado José de Oliveira Lima, conhecido como Juca, tensionou a relação com André Mendonça e dificultou o avanço de um acordo. Com a mudança, o criminalista Sérgio Leonardo assumiu a linha de frente do caso, e a equipe jurídica foi reduzida de 14 para cinco integrantes.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jatinho particular para Dubai. Na mesma época, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio por suspeitas de fraudes na emissão de títulos de crédito.
Em março de 2026, o ex-banqueiro voltou a ser preso preventivamente durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A PF afirma que ele comandava um grupo de inteligência e coerção chamado “A Turma”, suspeito de invasões de dispositivos eletrônicos e intimidação de desafetos e jornalistas.
As fases seguintes da operação atingiram núcleos político, financeiro e familiar ligados ao caso. Foram alvos nomes como Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, o senador Ciro Nogueira, o pai de Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, e agentes da própria Polícia Federal suspeitos de vazamento de informações sigilosas.
Com a nova rejeição, a delação deixa de ser, por ora, uma via de avanço sobre os núcleos político e institucional do caso Master. A defesa ainda sustenta que o material tinha conteúdo suficiente para abrir uma negociação efetiva.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pf-nunca-deu-chance-a-delacao-premiada-dizem-aliados-de-vorcaro-apos-nova-recusa/

