Por Leonardo Sakamoto, no UOL.
Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, as políticas migratórias do governo Donald Trump transformaram as fronteiras dos Estados Unidos em palco de um debate que transbordou nas redes sociais no Brasil. Levantamento da Nexus indica alta de 1.166% no volume de citações em português sobre o tema no X, Instagram e Facebook, entre os dias 6 e 9 de junho. Isso indica que a crise diplomática e esportiva alcançou o grande público brasileiro.
Árbitros, jogadores, autoridades e jornalistas descreveram atrasos sistemáticos, interrogatórios prolongados e recusas na obtenção de vistos para cobrir ou acompanhar a seleção de seu país. Torcedores também denunciam insegurança para viajar ao torneio, temendo abordagens nas fronteiras ou negativa de entrada sem justificativa formal.
Na nuvem de termos mapeada pela Nexus nas redes analisadas, expressões como “presidente da FIFA”, “sediar a Copa do Mundo”, “interrogado por 7” e “Seleção iraniana” aparecem com alta relevância no período monitorado, evidência de que a discussão conecta a dimensão política à esportiva e à nacional.
O caso de maior repercussão é o do árbitro somaliano Omar Artan, considerado o melhor da África, barrado pela imigração norte-americana mesmo com visto válido e credenciais emitidas pela Fifa. Após a forte repercussão negativa, o governo dos EUA afirmou que ele teria relação com terroristas sem apresentar nenhuma evidência. A entidade máxima do futebol lavou as mãos, dizendo que “não se envolve nos processos de imigração dos países-sede”. O episódio aparece entre os gatilhos centrais do pico de menções registrado na primeira semana de junho.

O atacante Aymen Hussein, principal nome da seleção iraquiana, ficou retido por sete horas antes de ser liberado. O meia haitiano Woodensky Pierre virou notícia em seu país por conseguir um visto para se juntar aos companheiros na Flórida. A seleção iraniana terá de se basear em Tijuana, no México, cruzando a fronteira para jogar e voltando no mesmo dia. Hoje, sete países classificados para a Copa enfrentam algum grau de restrição de visto. Irã e Haiti aparecem em listas ainda mais duras, impedindo visitantes.
Agentes do ICE, a polícia migratória norte-americana conhecida pela truculência, não descartam prisões de estrangeiros durante o evento. isso contribuiu no cálculo de torcedores de vários países, que fizeram contas não apenas sobre o preço salgado de ingresso, hospedagem e passagem aérea, mas a respeito do risco de atravessar oceanos e acabar detidos.
Nas publicações analisadas pela Nexus, usuários argumentam que as restrições contradizem o discurso de inclusão e universalidade historicamente associado à Fifa e ao evento. Parte das manifestações classifica a edição de 2026 como uma das Copas “menos acessíveis” da história, em razão das barreiras que envolvem não apenas cidadãos comuns, mas agentes credenciados pelo próprio órgão regulador do futebol mundial.
A Copa será disputada nos Estados Unidos, que contam com 11 cidades-sede, e lateralmente no México, com três, e no Canadá, com duas. A inédita sede tricompartilhada e o caráter supranacional do evento ampliam as implicações das políticas de migração dos EUA, já que delegações de dezenas de nações precisam garantir acesso seguro ao país anfitrião, algo que, para cidadãos de determinados locais, tem se mostrado incerto.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sakamoto-veto-de-trump-a-estrangeiros-na-copa-domina-a-rede-no-brasil-diz-pesquisa/

