VÍDEO: Lula diz que não tira proveito político de evento sagrado após ida de Flávio a Marcha para Jesus

Lula e Flávio Bolsonaro na Marcha para Jesus. Foto: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone, na manhã desta quinta-feira (4), com o apóstolo Estevam Hernandes, organizador da Marcha para Jesus em São Paulo. A ligação foi intermediada pelo ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, que é evangélico e representou Lula no evento religioso pelo quarto ano consecutivo.

Durante a conversa, Lula mandou uma indireta ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou da Marcha para Jesus neste ano, em meio à articulação para disputar o Palácio do Planalto em 2026.

“Eu vou lhe contar por que eu não vou, viu, apóstolo. Eu não participo de nada religioso em época de eleição, porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada”, disse Lula.

Na ligação, o presidente também lembrou que sancionou, em 2009, a lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus no calendário oficial do Brasil. A presença de Messias no evento reforça a estratégia do governo de manter diálogo com lideranças evangélicas sem a participação direta de Lula em atos religiosos durante o período pré-eleitoral.

O gesto ocorre no mesmo dia em que Estevam Hernandes, presidente da Marcha para Jesus no Brasil, afirmou que sua “tendência natural” é apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. A declaração foi dada ao comentar o “quadro polarizado que temos hoje”.

A fala reacendeu o debate sobre a presença de políticos em eventos religiosos e o uso desses espaços em disputas eleitorais. A legislação eleitoral brasileira estabelece limites para propaganda política em igrejas, templos e eventos de fé, e a Justiça Eleitoral reconhece a possibilidade de abuso de poder religioso quando lideranças usam sua influência para favorecer candidaturas.

Flávio Bolsonaro participou da Marcha para Jesus em posição de destaque, ao lado de aliados como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB), deputados bolsonaristas e outras lideranças conservadoras.

Hernandes negou que a presença do senador configurasse um “palanque político” e afirmou que Flávio participou do trio elétrico como qualquer cristão. Ao Valor, o líder religioso também minimizou questionamentos sobre a proximidade do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e disse que cabe a Flávio explicar à sociedade o que considerar conveniente.

O apóstolo também destacou o peso eleitoral dos evangélicos no país. Segundo ele, o segmento “decide eleições” e influencia posicionamentos políticos ligados ao conservadorismo.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/video-lula-diz-que-nao-tira-proveito-politico-de-evento-sagrado-apos-ida-de-flavio-a-marcha-para-jesus/