CIEE-RN reforça inclusão de jovens no mercado e alerta para desafios do estágio

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O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) reforça o papel de ponte entre estudantes e mercado de trabalho, com foco na inclusão de jovens em estágio e aprendizagem. Em entrevista à TV Agora RN, a supervisora do CIEE no Rio Grande do Norte, Daniela Sales, detalhou o funcionamento da instituição, destacou mudanças no perfil dos estudantes e explicou os desafios para ampliar oportunidades. “Nós estamos há 62 anos fazendo essa inclusão do jovem ao mundo do trabalho”, afirmou.

Segundo Daniela, o CIEE é uma ONG de assistência social que atua nacionalmente e é reconhecida como “o maior agente de integração na América Latina na integração de jovens”. Ela reforça que todo o atendimento ao estudante é gratuito: “O jovem se cadastra no CIEE a partir de 14 anos e aí vai ter várias possibilidades”. Entre elas, cursos EAD gratuitos com certificado, orientações para entrevistas e elaboração de currículo.

A supervisora destacou a importância do estágio como porta de entrada no mercado. “É importante para o jovem para que ele possa ter, realmente, a primeira oportunidade”, disse. Daniela lembrou que muitas empresas ainda exigem experiência, e que cabe ao CIEE dialogar para estimular a contratação de iniciantes. “A gente tem que argumentar para que escolha esse jovem sem experiência, para que dê oportunidade para ele.”

Sobre a legislação, Daniela explicou que o estágio pode ser feito a partir dos 16 anos e deve ser vinculado à área de formação do aluno. Ela também esclareceu a proporção exigida: “A cada cinco funcionários, pode ter um estagiário, porém a lei também especifica que se for de nível superior, não existe essa contagem.” Sobre atribuições, reforça: “Ele pode atuar em qualquer área, não existe nenhuma restrição que a lei fala em relação a isso”, embora recomende bom senso por parte das empresas.

Para a empresa, há a vantagem de que o estagiário não gera vínculo empregatício, não tendo direito a décimo terceiro, férias, FGTS ou aviso prévio. Além disso, ele pode estagiar no máximo seis horas por dia ou 30 horas semanais, pode ser desligado a qualquer momento e pode permanecer até dois anos na empresa, desde que esteja estudando.

Daniela afirmou que houve mudanças significativas no comportamento dos estudantes ao longo dos 15 anos em que trabalha no CIEE. “A parte mais difícil hoje é a comportamental… As pessoas estão mais exigindo direitos, pegam mais no celular”, relatou. Ela citou também desafios trazidos pelo ensino à distância: “Existe sim essa dificuldade de chegar até eles”, disse, lembrando que muitos estudantes não frequentam mais o ambiente físico das faculdades.

A remuneração também é um entrave para a permanência dos jovens no estágio. Daniela explicou: “Existem dois tipos de estágio, o estágio obrigatório e o estágio não obrigatório.” O CIEE só oferta vagas remuneradas do tipo não obrigatório. Porém, a lei não define valores: “Infelizmente, a lei não especifica, então, a empresa pode pagar hoje quanto ela quiser de bolsa e de auxílio-transporte também”. A instituição, segundo ela, orienta as empresas a oferecer valores condizentes com o mercado para evitar evasão.

Segundo ela, o CIEE faz o trabalho de orientação e conversa com as empresas e, quando identifica situações que não serão benéficas para o estudante ou que não estão dentro do programa de estágio, prefere recomendar que a empresa contrate um CLT ou procure outro tipo de perfil que não o de um estagiário.

Para estudantes e empregadores, o acesso ao CIEE é simples. “Nós estamos com o nosso site, portal.ciee.org.br, então o estudante se cadastra. Ele fica vendo as vagas que estão disponíveis, só vai aparecer se tiver vaga dentro do perfil dele”, explicou. A entidade também tem sede em Natal e atendimento via WhatsApp. As empresas contam com consultores que orientam sobre legislação e contratação.

O CIEE se mantém por meio de taxa administrativa paga pelas empresas. O recurso também financia ações sociais em comunidades vulneráveis. “Nós estamos também na periferia, nas comunidades, fazendo oficinas, principalmente para jovens sem direcionamento profissional”, afirmou.

Daniela ressaltou a satisfação em acompanhar trajetórias transformadas pelo estágio. “Sempre quando eu chego numa empresa… a pessoa diz: ‘Ah, Daniela, eu passei pelo CIEE, eu tive essa primeira oportunidade’. Realmente me deixa muito grata pelo trabalho que o CIEE faz”.

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Fonte: https://agorarn.com.br/rn/ciee-rn-reforca-inclusao-de-jovens-no-mercado-e-alerta-para-desafios-do-estagio/