Benefícios de fertilidade entra na agenda corporativa e muda o jogo do employer branding

Por Gabriela Varisco

Durante muito tempo, as empresas acreditaram que salário competitivo e um pacote básico de benefícios seriam suficientes para atrair e reter talentos. Hoje, profissionais escolhem empresas também pela forma como elas reconhecem seus projetos de vida, promovem bem-estar e constroem uma cultura alinhada às novas expectativas da sociedade.

As melhores notícias de tecnologia B2B

Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

O employer branding deixou de ser apenas uma estratégia de reputação para se tornar uma ferramenta diretamente ligada à atração, retenção e engajamento de pessoas. Não basta comunicar uma cultura positiva nas redes sociais ou construir uma marca empregadora aspiracional. A percepção dos colaboradores é formada pelas experiências concretas que vivem dentro da empresa e pelas políticas que impactam sua qualidade de vida.

As prioridades dos profissionais mudaram. Flexibilidade, saúde mental, equilíbrio entre vida pessoal e carreira, diversidade e benefícios personalizados passaram a ter peso real nas decisões de permanência e mudança de emprego. O colaborador espera ser visto de forma mais completa, e não apenas como um recurso operacional.

Benefício de fertilidade ganha força nesse cenário

Muitas empresas começaram a revisar suas estratégias de gestão de pessoas a partir dessa mudança de comportamento. Os benefícios flexíveis surgiram como uma tentativa de oferecer mais autonomia e personalização, permitindo que cada profissional escolha aquilo que faz mais sentido para sua realidade. O conceito representou um avanço importante, mas ainda existe uma limitação evidente: grande parte dessas plataformas continua concentrada nos mesmos benefícios tradicionais, deixando de fora temas que fazem parte da vida real dos colaboradores.

Projetos ligados à construção familiar ainda aparecem pouco dentro das políticas corporativas. Isso acontece justamente em um momento em que as transformações sociais mudaram a relação das pessoas com maternidade, paternidade e planejamento familiar. Profissionais adiam a decisão de ter filhos por pressão de carreira, casais homoafetivos ampliam sua presença no mercado corporativo, cresce o número de pessoas que desejam parentalidade independente e aumenta também a busca por preservação de fertilidade.

A infertilidade afeta 1 em cada 6 pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, estima-se que 15% dos casais em idade reprodutiva enfrentem algum grau de dificuldade para conceber, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida. Ainda assim, saúde reprodutiva continua distante da maior parte das políticas de benefícios oferecidas pelas empresas brasileiras. O tema costuma ser tratado como uma questão exclusivamente individual, quando seus impactos emocionais, financeiros e profissionais atravessam diretamente a experiência do colaborador no ambiente de trabalho.

Leia mais: Adobe aposta em governança para tirar IA generativa do campo do experimento

O que as empresas mais desejadas pelo mercado já entenderam

Empresas como Google, Apple, Meta e Microsoft incorporaram benefícios ligados à fertilidade e saúde reprodutiva há anos como parte das suas estratégias de atração e retenção de talentos. Mais do que acompanhar tendências, essas organizações entenderam que bem-estar corporativo não pode ser tratado de forma limitada ou padronizada. Cobertura de tratamentos de reprodução assistida, preservação de óvulos e suporte psicológico especializado fazem parte do pacote de benefícios de companhias que figuram consistentemente entre as mais desejadas por profissionais qualificados no mundo.

O impacto no employer branding é direto. Uma pesquisa da SHRM (Society for Human Resource Management) indica que 78% dos profissionais consideram o pacote de benefícios um fator decisivo na escolha de um empregador. Quando esse pacote inclui cobertura para jornadas tão significativas quanto a busca pela parentalidade, o sinal que a empresa transmite vai além da lista de vantagens: ela comunica que se importa com a vida inteira de quem trabalha com ela.

Employer branding se constrói com consistência, não com campanhas

O benefício de fertilidade é um componente poderoso, mas employer branding genuíno exige uma estratégia mais ampla e consistente. Algumas práticas que as empresas mais bem posicionadas como marca empregadora têm em comum:

Escuta ativa e contínua. Pesquisas de clima aplicadas uma vez por ano não capturam a realidade dos colaboradores. Organizações que constroem employer branding de forma sustentável criam canais permanentes de escuta, com ciclos curtos de feedback e espaço real para que as pessoas expressem o que precisam.

Comunicação interna transparente. Colaboradores que entendem os rumos da empresa, se sentem informados sobre decisões relevantes e percebem coerência entre o discurso e a prática têm maior senso de pertencimento e lealdade à organização.

Reconhecimento além da remuneração. Planos de carreira claros, celebração de conquistas, espaço para desenvolvimento profissional e visibilidade para o trabalho bem feito constroem um ambiente em que as pessoas querem crescer, e não apenas permanecer.

Benefícios que acompanham a vida real. Aqui reside o ponto central: o pacote de benefícios precisa refletir a pluralidade de quem trabalha na empresa. Saúde mental, cuidados com filhos, suporte para quem deseja construir uma família, apoio para diferentes momentos de vida. Quando a empresa demonstra que enxerga o colaborador como uma pessoa completa, fortalece um vínculo que vai além do contrato de trabalho.

O futuro do trabalho passa por empresas capazes de compreender o colaborador em sua totalidade. Organizações que conseguem transformar esse entendimento em ações concretas saem na frente na construção de culturas mais humanas, inclusivas e sustentáveis. Porque hoje os talentos não buscam apenas um lugar para trabalhar, e sim empresas que façam sentido para a vida que desejam construir.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Fonte: https://itforum.com.br/artigos/beneficios-fertilidade/