O Brasil está entre os cinco mercados prioritários do Google Cloud no mundo. A afirmação foi feita pelo chefe do Accelerator e Startups Latam da empresa, Henry Couto, durante o encerramento da 13ª turma do programa de aceleração de startups, na quinta-feira (16), em São Paulo.
A declaração se soma a uma série de acenos que o Google Cloud tem feito ao ecossistema de inovação brasileiro no último ano. Em junho, o Google e a gestora de venture capital Monashees anunciaram a criação do Gama Fund, iniciativa conjunta voltada ao financiamento e à aceleração de startups brasileiras com foco em inteligência artificial (IA). O fundo integra o programa global AI Futures Fund, do Google Labs, que já opera modelo semelhante na Índia em parceria com a Accel.
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Ainda assim, Couto afirma que participar do Accelerator não é garantia de investimento da big tech. “Falar que o Accelerator é um caminho para essas startups serem adquiridas ou fazerem negócio com o Google não é verdade, não é nada garantido. Mas estamos com os olhos no Brasil”, afirmou.
Dentro do Accelerator
Com foco em empresas AI First, a 13ª edição do programa reuniu 11 startups de setores como marketing, saúde e justiça, dedicadas a resolver problemas com o auxílio da IA. O encerramento aconteceu em um Demo Day que reuniu jornalistas, fundadores, investidores e clientes.
Realizado ao longo de dez semanas, o programa busca posicionar o Google Cloud como infraestrutura de base do ecossistema de startups brasileiro. “O Google quer ser a tecnologia por trás do problema que eles vão resolver. São eles que vão ter empatia com o cliente e entender o que precisa ser desenvolvido. Nosso papel é potencializar”, disse Couto.
De acordo com o executivo, ao colocar a IA no centro, o desafio deste ano estava em diferenciar os entusiastas das empresas que realmente têm a tecnologia em sua estrutura. Para isso, o Google adota uma seleção que analisa projetos e pessoas: avalia a viabilidade do que a startup deseja desenvolver e o engajamento de seus fundadores. A ideia, além de ter IA integrada, precisa desafiar o próprio Google tecnicamente, trazer impacto social, já ter captado algum investimento ou ter clientes interessados.
“Não é fácil diferenciar quem é um entusiasta de IA de quem é AI Native ou AI First, mas, quando pedimos para apresentar um projeto, isso facilita a seleção. Também queremos startups que estejam estressando os produtos Google, para que possamos pegar esse feedback e melhorar os nossos produtos. Então, tem de haver uma complexidade tecnológica”, explica.
Desde a primeira edição no Brasil, o Accelerator já formou empresas como Nubank, Creditas e Loft. As aceleradas somam US$ 130 bilhões em investimentos e têm taxa de sobrevivência de 94% no mercado.
Menos investidores, mais contratos
Os encontros promovidos pelo programa também mudaram de plateia. “Com 15% de juros, o dinheiro brasileiro se torna mais caro e a captação é mais desafiadora. É preciso ter muito mais que uma ideia. Então, há quatro anos, quando começamos os eventos, trazíamos 70% de investidores e 30% de executivos. Hoje, já são 80% de executivos e 20% de investidores. Eles preferem sair daqui com contratos de venda assinados”, conta Couto.
Cofundador e CEO da Galaxies, uma das startups aceleradas deste ano, Daniel Victorino aproveitou as dez semanas para desenvolver a Cidades Sintéticas, plataforma que testa e refina as comunicações dos clientes de acordo com os interesses de seus públicos-alvo por meio de agentes de IA. A solução usa tecnologias do Google Cloud como o BigQuery e o Gemini Enterprise Agent Platform para armazenamento e análise de dados e criação dos agentes.
Para o fundador, além da aceleração de produtos, o forte do programa foram os relacionamentos proporcionados. “Empreender, por definição, é uma atividade muito solitária. Então, estar em um programa que proporciona a troca com outros profissionais acelerou a jornada para que pudéssemos colocar este produto no mundo. E agora temos a felicidade de ter o próprio Google como cliente, em três países diferentes”, contou em entrevista ao IT Forum.
Com o impulso do Accelerator, o empreendedor planeja se mudar para os Estados Unidos e usar sua última captação para internacionalizar a martech. “Entendemos que, ao trabalhar com IA aplicada, as fronteiras diminuem. Demorar para globalizar a empresa pode abrir margem para a concorrência, por isso vamos dar este passo agora”, afirma.
Durante o Demo Day, o diretor de parcerias globais do Google, Newton Neto, disse ainda que a empresa tem focado em climatechs e deeptechs, com atenção especial a soluções que aprimoram o uso de energia limpa. “O Brasil tem a matriz de energia mais limpa do planeta, mas ainda tem muita oportunidade para otimizar o grid energético. Temos um papel importante a cumprir como infraestrutura para suportar o que a IA mundial precisará”, declarou.
Para a próxima turma, Couto afirma que ainda não há um foco específico no perfil das startups procuradas. A única garantia do executivo é de que o programa seguirá centrado em IA. “Falar de IA hoje é como falar de energia elétrica e computadores, então não tem como fugirmos disso”, conclui.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/google-startups-aceleradas/

