O governo federal ainda não decidiu se buscará uma nova reunião formal entre o presidente Lula e seu homólogo americano, Donald Trump, durante a cúpula do G7, marcada para ocorrer entre os dias 15 e 17 de junho, na França. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que um novo encontro só faria sentido caso houvesse temas concretos a serem negociados entre os dois países.
A avaliação ocorre porque Lula e Trump já se reuniram em 7 de maio, em Washington. Segundo integrantes do governo ouvidos pelo jornal O Globo, uma nova conversa dependeria de avanços prévios entre auxiliares dos dois presidentes, especialmente em assuntos como as tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
Mesmo sem uma reunião bilateral agendada, a expectativa é de que os dois líderes se encontrem durante a programação do G7. O Brasil participa do evento a convite do governo francês, embora não faça parte do grupo das sete maiores economias do mundo.
Nesta semana, Lula afirmou que decidiu comparecer à cúpula diante das recentes medidas adotadas por Washington. “Eu nem ia no G7, mas agora eu vou, porque é preciso alguém colocar ordem na casa e dar um fim no desmonte do multilateralismo, no desmonte da democracia e na desvalorização das instituições”, declarou.
➡ Lula diz que decidiu ir à reunião do G7 para “colocar ordem na casa” pic.twitter.com/pdvOQNJmcI
— Metrópoles (@Metropoles) June 3, 2026
Desde o encontro na Casa Branca, os Estados Unidos classificaram PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e concluíram investigações comerciais que podem resultar em novas tarifas sobre produtos brasileiros. Entre as propostas estão uma taxa de 25% sobre determinados itens e outra de até 12,5% relacionada a alegações de falhas no combate ao trabalho forçado.
A investigação que propôs a tarifa de 25% foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O relatório menciona temas como Pix, propriedade intelectual, decisões judiciais e desmatamento, apontando práticas consideradas prejudiciais ao comércio estadunidense.
No dia seguinte à divulgação desse documento, Washington apresentou uma segunda proposta tarifária envolvendo dezenas de países. O relatório alega que determinadas nações, incluindo o Brasil, não impedem adequadamente a entrada de produtos associados ao trabalho forçado, o que poderia justificar novas barreiras comerciais.
Integrantes do governo brasileiro acreditam que Lula deverá abordar a questão das tarifas durante os debates do G7, mesmo que não haja uma reunião reservada com Trump. O tema dos “desequilíbrios macroeconômicos globais” está entre os assuntos previstos para a cúpula e deve abrir espaço para discussões sobre comércio internacional e medidas protecionistas.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/governo-discute-nova-reuniao-entre-trump-e-lula/

